Maria Idalina de Oliveira
Tinha
apenas 5 anos, morava em uma fazenda. Meu pai, filho mais novo de outros cinco,
estudou apenas com um professor particular que vinha até a fazenda lhe ensinar
a ler e a resolver as quatro operações, mas foi o suficiente para ele,
não sei de onde e como , aprendeu a contar histórias de princesas, castelos,
lobisomens e eu atenta ouvia tudo, atenciosa, tinha medo, mas
foram histórias que ficaram na minha memória, pois das três filhas que
teve, eu -dizia ele,” nunca lhe trouxe problemas na escola”. Lembro -me
que sentávamos à beira da mesa e com a mão esquerda tentava fazer meus
primeiros rabiscos. Para ele, era lindo me ver segurando o lápis com a mão
esquerda e nem tentou mudar. Ele me ensinava a fazer bolinhas, traços
como a chuva, formar a sílabas ou letras do meu nome e assim foi. Mudamos para
Macaubal , meu primeiro ano, minha professora, era esquerda também, e assim
,ficou mais fácil ainda. Não tive dificuldades em aprender a escrita e a
leitura era com a cartilha, mas aprendi. No 4º ano fiz uma redação sobre uma
árvore que existe até os dias de hoje, na praça de Macaubal, o antigo
matadouro. Foi linda, teve premiação, foi um orgulho. Na 5ª série o
professor de português pediu para que comprássemos o livro “O Sítio do
pica-pau amarelo”, esta foi a minha primeira leitura, inesquecível. Viajava na
história e até hoje conto aos meus alunos sobre essa lembrança. Li
muitos romances e são histórias que podem ser contadas para alunos
e faço isso , instigando-os a leitura. E funciona. Ah! A poesia que coisa
boa, Fernando Pessoa, Ferreira Gullar, Álvares de Azevedo , Cecília
Meireles...Vocês já devem ter tido momentos em suas vidas, já pararam
para ler qualquer que seja o...Motivo? Viva todos eles.
Maria Idalina, nosso blog ficou lindo, adorei. Só não me pergunte como cheguei até aqui, fui clicando e ai apareceu seu blog, um grande abraço amiga.
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